Penélope Cruz: Filme Elegy é aplaudido em Berlim

Penélope Cruz, espanhola, e o britânico Ben Kingsley estrearam neste domingo (10) sobre o tapete vermelho do Festival de Berlim com “Elegy”, de Isabel Coixet, uma reflexão sobre um amor que nasce já sem forças porque surge do medo de envelhecer.

Glamorosa e sensual, Penélope, e Sir Kingsley, impecável como sempre, juntos, formam o casal que protagoniza o filme de Coixet e deixou boas impressões no festival, seguido pelo também bem recebido “Avaze gonjeshk-Há”, do iraniano Majid Majidi.

“Elegy” aborda de forma “inteligente e sutil”, segundo Coixet, a agonia que existe no romance de Philip Roth “The dying animal”.

“Elegy” parte de uma situação mais que previsível: ele é um professor e crítico televisivo de literatura, acostumado a sair com uma estudante assim que acaba suas aulas.

Penélope Cruz

É um cara mimado, acostumado a comer em bons restaurantes e tem, além disso, uma namorada linda, o que não lhes impede de ser infiéis. Desta vez, a escolhida será uma cubana, Consola, ou seja, Penélope, que evidentemente não será apenas mais um caso.

Se cada episódio amoroso era uma tentativa de encontrar um antídoto contra a velhice, desta vez o efeito é contrário. Ir pra cama com uma estudante trinta anos mais jovem significa começar a contar, desde o primeiro dia, quando ela irá decidir por alguém de sua idade.

O cáustico professor com respostas rápidas para qualquer pergunta incômoda – casamento, fidelidade – não sabe como reagir ao fato e se transforma em um amante doente de ciúmes.

No corpo de Penélope começa tudo e aí retorna também a atenção, quando a relação parecia haver acabado. “Não é um filme sobre a doença, mas sobre a beleza e a perda disso”, explicou Coixet, sobre a inversão dos papéis gerada ao final, uma prova de que nem tudo se decide em função dos pólos velhice-juventude.

Noite de estréias

“Elegy” dividiu o primeiro domingo do Festival de Berlim com a iraniana “Avaze Gonjeshk-Há” –“The Song of Sparrows”, em inglês– uma produção que se movimenta na linha da poética cinematográfica.

Rodada em parte no conturbado Teerã, em parte no campo, o filme de Majidi reflete as vicissitudes de um pai de família que perde seu emprego em uma fazenda avícola por culpa de um avestruz indomado e vai tentar a vida como mototaxi na capital.

Trata-se de todo um exercício fotográfico – desde o filosófico e fotogênico movimento do avestruz em seu desespero – aos vários passageiros que ele pega durante o trabalho.

Após a perfeição estética se encontra a filosofia do homem confrontado à tentação de vender sua alma à avareza, da qual se livra graças a um acidente, seguido do retorno do bendito avestruz ao curral.

Até Breve.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *